Publicado por: Lula Moura | 17 Julho 2008

Um naufrágio na superfície

Como se já não bastasse as condições naturais para o mergulho em Recife com seus diversos naufrágios naturais mergulháveis, a capital nacional do naufrágio, ainda vem produzindo mais opções de mergulhos através dos frequentes afundamentos de velhas embarcações, com o principal intuito de fomentar o turismo sub-aquático da região.

Devido ao sucesso dos afundamentos do Servemar X, Minuando e Lupus, os primeiros naufrágios induzidos do país, a irem a pique de forma totalmente legalizada frente aos órgãos oficiais e ambientais em 2002, dando procedência assim, aos outros afundamentos do Servemar I em 2004 e de outros três rebocadores, o Mercurius, o Saveiros e o Taurus em 2006, a empresa Wilson Sons, antiga proprietária de todos os rebocadores citados acima, disponibilizou no ano passado mais um de seus antigos instrumentos de trabalho, o Rebocador Walsa, que atingiu o período de descontinuação, e passará a ser o próximo naufrágio de Recife à contemplar o já famoso Parque dos Naufrágios Artificiais de Pernambuco.

Walsa 003

Esta respeitável sequência de sucessos nos afundamentos destes rebocadores, deram as operadoras locais e aos envolvidos nestes projetos de afundamento, um know-how tão considerável, que os detalhes que precedem os afundamentos já são projetados e executados minuciosamnte, e que vão desde a localização do ponto, que além de  estar obrigatoramente de acordo com as condições exigidas pelos órgãos oficiais competentes, precisa ficar compatível com as condições de navegabilidade em determinadas épocas do ano, e com proximidades de outros pontos de mergulhos, para que a saídas embarcadas possam trazer aos turistas subaquáticos outras diversas opções de mergulhos de forma rápida e confortável.

Mapa de afundamento do Rebocador Walsa

Equipe de Limpesa do WalsaOutro detalhe que é preciso ser bem tratado é a preparação da embarcação. Ele precisa estar sem resíduos que possam vir a prejudicar o meio ambiente, sendo necessário que o futuro naufrágio passe por uma rigorosa limpeza. Que por sinal, já foi realizada como muito sucesso, com a ajuda de diversos mergulhadores locais coordenados pelo pessoal do projeto de afundamento.Preparação para penetrações

Um ponto importante que também é pensado, se refere às futuras visitações dos turistas mergulhadores. Diversos pontos foram abertos no rebocador para permitir a entrada de luz, da vida marinha e dos mergulhadores, criando  assim, a possibilidade de penetrações mais seguras, para aqueles que têm nível de certificação de penetração em naufrágios.

É um trabalho bem planejado e que envolve muita gente, desde pesquisadores, encarregados de órgãos oficiais como a Capitania dos Portos, Marinha, IBAMA entre outros,  a equipe da Wilson Sons, que presta seu apoio total inclusive durante os afundamentos, rebocado o futuro naufrágio para o ponto determinado, até os mergulhadores locais que dão todo tipo de colaboração quando são solicitados.

Sem dúvida um grande trabalho de equipe, que já vem trazendo resultados fantásticos para atividade do mergulho, e porque não dizer, para o próprio ecosistema, que passa a contar com novos pontos de abrigo a vida marinha a cada novo naufrágio, que são facilmente comprovados por todos que visitam os já   afundados rebocadores.

A explicação para isso, segundo Alessandra Fischer, uma das pesquisadoras que trabalha no Projeto do Parque de Naufrágios Artificiais de Pernambuco, é a seguinte:

A plataforma continental do Estado de Pernambuco é em sua maioria composta por um substrato não consolidado que impede a fixação de estruturas rígidas que possam ser utilizadas como moradia para o desenvolvimento de uma comunidade marinha, sendo importante assim, à  inserção de uma estrutura artificial nessa área.

A atividade do mergulho só tem que agradecer a todos que tiveram a idéia, puseram em prática, colaboraram, e continuam até hoje lutando para transformar velhos navios em maravilhosos pontos de mergulho. Não podemos esquecer de parabenizar a empresa Wilson Sons, pela bela homenagem que esta fazendo a aos seus antigos rebocadores, transformando seus nomes em historia que irão perdurar e serem conhecidos por séculos, abrigando vida, trazendo lazer, e colaborando para o turismo sub-aquático da região.

Vamos torcer para que este exemplo de sucesso em Recife, possa ser repetido em outros pontos de mergulho do país. Mas em quanto isso não acontece, venha conhecer tudo isso de perto conosco, quem sabe não proporcionamos a você até uma visita no Walsa, assim você poderá registrar em seu dive logbook, um belo mergulho em um naufrágio de superfície.

Para maiores informações sobre o Parque de Naufrágios Artificiais de Pernambuco, faça contato pelo e-mail info@aquaticos.com.br, ou deixe seu comentário.

* Texto da bióloga Alessandra Fischer sobre a Importância Biológica dos Naufrágios.


Respostas

  1. Mais um naufrágio. Isso é sempre muito bom para nós mergulhadores.
    beijos
    Beca


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